Da cabeça aos pés: risco de complicações e prática de autocuidados podológicos em pessoas com diabetes institucionalizadas por doença mental grave
Código: SS-340
- Data: 04/12/2025 00:00:00
Resumo:
Introdução: Na pessoa com diabetes e, particularmente, na que apresenta concomitantemente patologia do foro mental, a prevenção de complicações podológicas baseia-se no incentivo à educação, autocuidado e vigilância regulares. Objetivo: Estratificar as pessoas com diabetes institucionalizadas por doença mental grave no Centro Hospitalar Conde Ferreira (CHCF), no Porto, de acordo com a classificação de risco para o desenvolvimento de úlceras de pé diabético do International Working Group on Diabetic Foot (IWGDF), quantificar a presença de alterações podológicas e avaliar a prática de autocuidados podológicos. Métodos: Foram identificados os utentes desta instituição que apresentavam diabetes e foi recolhida a respetiva informação sociodemográfica e clínica. De seguida, foram avaliados os cuidados podológicos, as patologias podológicas presentes e o grau de risco de desenvolvimento de úlceras de pé diabético. Resultados: Os participantes (n=28) eram mais frequentemente do sexo masculino (n=20) com diagnóstico de esquizofrenia (n=12) e período de institucionalização mediano de 10 anos. Os participantes apresentavam maioritariamente um grau de risco moderado (categoria 2) (n=14), tendo sido diagnosticada neuropatia periférica em 21 utentes e doença arterial periférica em 6; 16 utentes apresentavam corte ungueal incorreto, 11 onicomicose e 9 onicogrifose. Adicionalmente, 11 sujeitos usavam calçado inadequado e 13 meias desajustadas. Conclusão: A maioria das pessoas com diabetes institucionalizadas no CHCF apresentava risco de desenvolvimento de complicações podológicas (IWGDF=1). É necessário prestar cuidados regulares, especializados e direcionados a estes indivíduos de forma a evitar úlceras e amputações.
Catarina Pinto
Unidade de Saúde Local de Entre Douro e Vouga
Matilde Monteiro-Soares
ESSCVP